Saturday, March 3, 2007

As Organizações e a Sociedade em Rede

De facto, segundo nos diz Castells, durante os anos 80, as empresas sofreram um profundo processo de reestruturação: a forma de organizar a produção alterou-se, surgiram transformações organizacionais, que muito interagiram com a difusão das novas tecnologias da informação, etc. Tudo isto, entre outros aspectos, foi feito para tentar fazer face às constantes oscilações da economia. Procurou-se flexibilizar a produção, bem como a gestão e a comercialização. Efectivamente, o sistema de produção em série estava desajustado, no que concerne às novas imposições/necessidades das economias. O mercado, gradualmente, viera a tornar-se cada vez mais dinâmico e rigoroso, de modo que só através da especialização e flexibilização da produção foi possível sobreviver à crise dos anos 70.

Os efeitos das novas tecnologias da informação favoreceram a maleabilidade, permitiram a modificação por reorganização e reconfiguração de componentes organizacionais. Realmente houve uma profunda modificação do sector empresarial, na medida em que se verificou um crescendo das pequenas e médias empresas (que tendiam a gerar novos postos de trabalho, dinamizando-se também um grande sentido de cooperação entre entidades governantes e proletário. A mão-de-obra tornou-se multifuncional e houve uma grande partilha de saberes explícitos e tácitos. Apostou-se também fortemente no controlo da qualidade e plena satisfação do cliente, sendo os trabalhadores sempre compensados pelos bons préstimos à empresa. Surgiram redes empresariais, através das quais pequenas e médias empresas eram grandes colaboradoras de outras com maior capacidade. Apesar destas redes rapidamente se formarem, elas também se poderiam dissolver com alguma celeridade, de acordo com as necessidades do mercado. Se antes se apostava no modelo vertical da empresa, agora surge um novo paradigma empresarial, o modelo horizontal, alicerçado na coadjuvação, colaboração, entreajuda. Neste modelo horizontal era ponto basilar a constante reciclagem e formação contínua dos funcionários. Neste período surgem também novos acordos e parcerias entre empresas, ou seja, foram criadas alianças estratégicas, que se firmavam na assistência e competitividade. Assim, a empresa deixa de se assumir como auto-suficiente e autónoma, para passar a apoiar-se numa rede de outras empresas que com ela colaboram. Em boa verdade, a utilização da Internet permitiu a integração das redes em rede, pois através dela (Internet), a empresa automatizou toda a sua interacção (quer com clientes, funcionários, fornecedores,…), reduzindo bastante os custos da sua produção. Exemplo disso são empresas como a Cisco Systems, a Dell ou a Hewlett Packard. Criou-se o chamado “modelo empresarial de redes global”, como lhe chama Manuel Castells. A empresa mal sobreviverá se se considerar independente numa era económica cada vez mais tecnológica e global.

Através da proliferação do computador pessoal, a informação tornou-se cada vez mais acessível, seja o acesso à mesma feito por Internet, Intranet, ou mesmo, Extranet. De forma eficaz as várias redes existentes foram-se ligando entre si e transformando, gradualmente, a forma de estar das organizações. Cultura e instituições continuam a condicionar a chamada “lógica de mercado”: os mecanismos de mercado mudam ao longo da história e funcionam mediante diversas formas de organização. Neste âmbito, o estado assume um carácter “desenvolvimentista”, sendo capaz de promover e sustentar o progresso, respeitando o cariz da ordem social.

Em boa verdade, a flexibilidade, fundamental na nova era da economia global, dá fundamento às expectativas de contínua adaptação de trabalhadores e consumidores, produtores e usuários, o que faz com que o contínuo aperfeiçoamento intelectual e técnico seja condição sine qua non da sociedade da informação.

Esta proliferação das novas tecnologias da comunicação e informação gerou fenómenos como a mundialização e a globalização, característicos do século XX e também XXI. Não se pretende com isto que se verifique uma homogeneidade, mas sim que estejamos cada vez mais aptos a saber lidar com a mudança, com a diversidade, com a amplitude das culturas. Participamos, cada vez mais activamente, numa sociedade heterogénea, onde tudo passou a estar ao nosso alcance. Como afirma Castells, a globalização e a emergência de uma nova economia foram favoráveis ao aparecimento da “sociedade em rede”, com base informacional e global. Ela é informacional pois quer produtividade quer competitividade de unidades ou agentes de uma economia dependem da sua capacidade de gerar, processar e aplicar a informação. Mas, é também global, dado o consumo e circulação estarem organizados numa escala global, mediante uma rede de conexões entre agentes económicos. Mais ainda, ela é tão informacional quanto global, pois com as novas condições sociais/históricas, quer produtividade quer competitividade são concebidas numa rede global de interacções. Como diz Slevin, o nosso mundo moderno nunca pode ser estável porque estamos constantemente a fornecer-lhe informações novas (Slevin, Internet e Sociedade, pp. 194). A isto Giddens atribuiu a expressão “circularidade do conhecimento social”. Um dos nossos principais desafios é o de tentar encontrar maneiras, eficazes e eficientes, de “usar” a “sociedade em rede”, e todas as valências que ela oferece, no sentido de melhor enfrentar os novos desafios da sociedade moderna, tendo para isso que haver uma boa preparação de indivíduos e organizações, de forma a estarem preparados para os novos reptos. Uma das organizações que tem a tarefa de criar cidadãos aptos a sobreviver num “novo mundo” é a Escola.

Efectivamente, a revolução do conhecimento (que surge no final do século XX) fez com que a informática e as novas tecnologias da comunicação viessem impulsionar mudanças que, no círculo educacional curricular, e segundo Martiniano Román Pérez /catedrático da Faculdade de Educação da Universidade Comptulense de Madrid), pedem um novo paradigma que há-de ser necessariamente cognitivo, enquanto há-de explicar o cenário e o aluno e o seu potencial de aprendizagem (individual e social)[1]. Isto implica o caminhar em direcção a um novo modelo de escola, revolucionada a partir do conhecimento.

Como previu Herbert McLhuan, nos anos 60, o mundo transformou-se na sala de aula. Aprende-se a qualquer instante, em qualquer sítio. Numa sociedade do conhecimento, aprender é um processo em contínua mutação, pois vivemos numa sociedade que proporciona diversas oportunidades de aprendizagem. Isto acarreta consequências para a escola, enquanto organização, e para o professor, enquanto formador de cidadãos responsáveis e capazes. O professor torna-se num aprendiz permanente, dotando-se de toda a flexibilidade possível, de forma a ser capaz de se ajustar aos novos desafios do seu dia-a-dia. O docente da nova era do conhecimento terá de ser capaz de perceber o multiculturalismo e os valimentos do mesmo. Terá de se dar conta da heterogeneidade, terá de estar apto a investigar, a ser flexível, recriando conteúdos e métodos adaptáveis às novas exigências das várias situações educativas/cognitivas que o interpelam. A escola será assim um espaço produtivo, onde se dará uma circulação e consolidação constante de saberes matizados. É um novo espaço de cultura.

Com a Internet e a “sociedade em rede”, aberta e interactiva, que favorece o intercâmbio, a cooperação e a partilha, o aluno passa a estar no centro do processo de ensino-aprendizagem, passando a ser ele o construtor dos seus saberes, tornando-se, progressivamente, mais autónomo e responsável. Nesta nova conjuntura educacional, a escola vê-se obrigada a inovar, a criar ambientes de aprendizagem que se tornem mais aptos a responder e adaptar-se às “oscilações” do seu público-alvo.

Assim, numa sociedade de mudanças rápidas, como o assevera Pérez, é necessário a aprendizagem permanente a partir da própria prática profissional[2], ou seja, é necessário fazer-se uma aprendizagem colaborativa, com a partilha constante de saberes. Mais anda, a nova escola deverá fazer uma integração adequada de novos conteúdos e métodos, de forma a desenvolver capacidades e valores. Deverá criar novos rumos para aprender a aprender, tornando-se numa organização que fomenta o espírito crítico, a inovação e a criatividade. O “novo funcionário”, desta “nova” escola, o professor, assume pois um novo papel, porque para além de docente, ele é também aprendiz, mediador da aprendizagem, da cultura “global”, social, institucional, assim como intermediário do conhecimento. Será como que um “gerente das redes de informação”.

Há muito que se anseia por uma educação que gere indagação, pesquisa, sentido crítico. Ela não deverá ser taylorizada, pois o aluno é um ser individual. A educação terá de ser mais aberta ao trabalho em rede com diversos parceiros, mais inclusiva e actualizada. O aluno deverá deixar de ser passivo e tornar-se mais participativo, sempre com a ajuda de um professor mais disponível para a diversidade e para o ser co-aprendente. Tudo isto tem um trilho aberto, sendo este traçado por meio das novas tecnologias da informação e comunicação.

Bibliografia consultada:

  • CASTELLS, Manuel, A Era da Informação: Economia Sociedade e Cultura, vol. I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005;
  • PÉREZ, Martiniano Román, Um novo currículo para a sociedade do conhecimento – Da escola que ensina à escola que aprende
SLEVIN, James, Internet e Sociedade, Lisboa, 2

[1] In Martiniano Pérez, Um novo currículo para a sociedade do conhecimento – Da escola que ensina à escola que aprende

[2] In Martiniano Pérez, Um novo currículo para a sociedade do conhecimento – Da escola que ensina à escola que aprende


Patrícia Farias

Monday, February 12, 2007

Cibercultura e Aprendizagem


Cibercultura e Aprendizagem

Com a presente reflexão pretende-se perceber um pouco melhor a forma como a Internet se revela veículo de transmissão cultural e também se tentará definir, com base nas leituras efectuadas, o que se entende por cibercultura. Pretender-se-á ainda compreender de que forma a Internet (e tudo o que a envolve) tem vindo a condicionar/modificar o processo de ensino-aprendizagem.

Actualmente as sociedades, nos mais variados níveis, vivem em plena “era da informação”, cruzando a dita “auto-estrada da informação”, que as tem levado a conhecer novos horizontes (económicos, sociais, culturais…). Como o afirma Castells, o surgimento de um novo sistema electrónico de comunicação, caracterizado pelo seu alcance global, a integração de todos os meios de comunicação e interactividade potencial, está a mudar e mudará para sempre a nossa cultura (Castells, A sociedade em Rede, vol. I, pp. 423). A Internet veio possibilitar toda uma mutação das sociedades, em âmbitos e modos diferentes. Segundo nos diz Slevin, a Internet, como meio de transmissão cultural (Thompson), possibilita o acesso a um vastíssimo número de informações, que são produzidas, transmitidas e recebidas, através de componentes materiais. A partir do momento em que estamos ligados em rede, sofremos constantes transformações, pois coabitamos com um “imenso mundo novo”. Estaremos, pois, a reestruturar as nossas relações, aos mais variados níveis, e a perspectivar o mundo de forma completamente diferente. Pierre Lévy afirma mesmo que as relações interpessoais, laborais, a própria inteligência, dependerão da constante mutação de dispositivos informáticos, os quais têm vindo a globalizar, cada vez mais, todas as comunidades.

A Internet possibilita o contacto de um vastíssimo número de pessoas, localizadas em espaços e tempos diferentes, contacto esse que gera uma contínua permuta de saberes e experiências. Passámos a viver numa “aldeia global”. No entanto, há que ter em atenção que esta “aldeia” também é geradora de discriminação: origina os chamados info-excluídos, ou seja, todos aqueles que, por não partilharem da linguagem da “era digital” estarão, automaticamente, banidos. Apesar disso, a tecnologia está, cada vez mais, infiltrada nas diferentes vertentes da actividade humana, alterando mesmo a sua concepção de identidade e de cultura. É ela, tecnologia, que tem vindo a possibilitar, de forma extremamente sedutora, a interacção entre pessoas, muitas vezes completamente desconhecidas, separadas no espaço, sendo mesmo pertencentes a culturas distintas.

Cibercultura

O termo "cultura" é bastante amplo e de difícil definição. De facto esta palavra poderá ser analisada através de diferentes acepções e especificidades. A cibercultura foi originada por um novo ambiente comunicacional e cultural, mediado por computadores.
Segundo Castells, "as culturas são formadas por processos de comunicação" (Sociedade em Rede pp. 488) e, através dos meios técnicos de transmissão, o homem vai comunicando e tendo acesso a novas formas de ver e compreender a realidade, vai desvendando horizontes, que só se lhe tornaram acessíveis através da Internet. Como nos diz Lévy, a cultura e a vida social contemporâneas foram sendo transformadas com o surgimento de um ciberespaço. Este ciberespaço, gradualmente, tem vindo a moldar novas formas de concepção do saber, transformando o mundo. Nela há uma constante interacção, que torna o virtual em real. Gibson afirma que o ciberespaço é uma consensual hallucination experienced daily by billions of legitimate operators, in every nation, by children being taught mathematical concepts... A graphical representation of data abstratcted from the banks of every computer in the human system. Unthinkable complexity. Lines of light ranged in the nonspace of the mind, clusters and constellations of data. Like city lights, receding..." (Gibson, Neuromancer, pp.51).

Efectivamente, a chegada das TIC às escolas, e a sua integração crescente no processo educativo, tem modificado a forma como se aprende, o que se aprende e quando se aprende. A Internet, e tudo o que ela disponibiliza, está a mudar tanto a forma de aprender, como a de ensinar.

Se antes se pensava exclusivamente num ensino face-to-face, hoje vemos aberta a possibilidade de aprender em vários lugares, em tempos e modos diferentes. Cresce a importância da aprendizagem colaborativa, onde há a partilhas de saberes, experiências. A partilha de saberes, gerada pela actividade comunicativa, amplia a possibilidade da exploração de novas culturas, experiências e fomenta a criação de novas formas de socialização.

A cibercultura gera um novo comportamento e atitude, criados pelas vivências veiculadas e mediadas pela Internet. Foi esta cibercultura que criou a chamada net generation, cuja formação cultural é altamente mediada pela tecnologia, essencialmente digital. No processo de ensino-aprendizagem, quanto mais diferenciados forem os contextos educativos, maior será a probabilidade da consolidação de conhecimentos. A aprendizagem pretende-se o mais colaborativa possível, na medida em que o aluno, ao progredir, ajudará ou outro a desenvolver-se também. Só se aprende em colaboração, pois não aprendemos sozinhos, aprendemos com o mundo.

Como o afirma James Slevin, a Internet está a resultar num boom de informação à disposição dos indivíduos. Contudo, o desenvolvimento cognitivo do indivíduo só se fará se ele souber distinguir o essencial do acessório. De facto, a veracidade da informação disponibilizada na Internet nem sempre se verifica e, muitas vezes, só porque “está escrita na Internet”, essa informação torna-se, automaticamente legítima.

A Internet é, quanto a mim, um instrumento valioso para a educação, para a aprendizagem auto dirigida. No entanto, há que saber quando e como utilizá-la. Aprendizagens formais e não formais devem coexistir no processo educativo e o professor tem de compreender que, na actualidade, tem um novo papel – o de facilitador de aprendizagens – fornecendo ao aprendente meios/suportes que o ajudem a pesquisar, seleccionar a informação, incutindo-lhe sentido crítico que o torne capaz de saber orientar o seu trabalho, de forma consciente, organizada, crítica, em função da tarefa que lhe foi proposta. A Internet, e o seu pendor colaborativo, quando bem aplicado, pode ser um meio facilitador da função do professor, pois nela ele terá um recurso complementar à sua prática pedagógica. Poderá ser um valioso instrumento para o crescimento cognitivo do aluno, se este estiver munido de competências que lhe permitam compreender a validade, ou não, daquilo a que está a aceder no imenso mundo virtualmente…real.

Em suma, é fundamental que, enquanto “cidadãos do mundo” e também educadores, saibamos orientar-nos aquando da utilização da Internet, ou seja, orientar a nossa cultura não no sentido do «vale tudo», mas no sentido das tecnologias como a Internet serem usadas para reflectir o nosso mundo complexo, para conquistar um melhor entendimento nele, para intervir nele da melhor maneira que formos capazes. (Slevin, Internet e Sociedade, pp. 376)

Bibliografia consultada:

· Castells, Manuel, A Era da Informação: Economia Sociedade e Cultura, vol. I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005;

· Gibson, William, Neuromancer. New York, Ace Books, 1984.

· Lévy, Pierre, Tecnologias da Inteligência, Lisboa, Instituto Piaget, 1990;

· Slevin, James, Internet e Sociedade, Lisboa, 2002.

Patrícia Farias

Saturday, February 3, 2007

Educação aberta, não tradicional e a distância


Olá a todos.

A partida foi dada, e começou a minha viagem por mares nunca dantes navegados.
Comecei por entrar num vasto oceano que diz respeito aos Fundamentos do Ensino a Distância. Assim, após a análise da obra de Desmond Keegan (Foundations of Distance Education), mais concretamente do segundo capítulo , novos horizontes foram desvendados. De facto, para se compreender o que é o ensino a distância é importante distinguir vários conceitos: educação aberta, não tradicional e a distância. Durante muito tempo houve uma certa confusão aquando da tentativa de definição de Ensino a Distância. Era comum surgirem termos como "estudo por correspondência", "estudo em casa", "estudos externos", "estudo independente".... entre muitos outros. O ensino a distância não surgiu recentemente. Segundo nos diz Michael Moore, há vários anos que muitas escolas não recorriam ao ensino face-to-face, um ensino presencial, onde o professor e o aluno tinham presença real e obrigatória. Segundo Moore, "teaching consists of two families of activity with many characteristics in common, , but different in one aspect so important that a theory explaining one cannot satisfactorily explain the other" (Keegan, Foundations of Distance Education, pp24). Estas duas famílias são:
  1. a 1ª, a melhor compreendida (mais velha e mais estudade), é a que inclui o docente, presente fisicamente, em todas as actividades educativas, recorrendo aos meios primários de comunicação (voz). O ensino era consumido ao mesmo tempo que era produzido. Este tipo de ensino (convencional) localiza-se num campus, onde os estudantes e professores coabitam fisicamente, em contexto sala de aula.
  2. a 2ª inclui situações educacionais distinguidas pela separação do professor e alunos, tendo a comunicação que ser facilitada por um meio electrónico ou mecânico. O ensino era "consumido" num tempo e espaço distintos. O aprendiz, para poder aceder ao ensino, a informação tinha que ser construida, transportada, armazenada e, posteriormente, entregue. Também há aqui interacção entre professor e aprendiz, contudo, ela será afectada pelo atraso resultante da necessidade de comunicar através da distância ou tempo. A isto chamamos Ensino a Distância (Moore).
Para muitos autores (Perry), o ensino a distância era encarado como a segunda melhor alternativa à educação convencional. De facto, ainda hoje se continmua a encontrar uma grande resistência aquando da aceitação deste tipo de ensino. Continua a acreditar-se que só se formarão profissionais eficazes e eficientes se o ensino for feito em contexto face-to-face.

Educação Aberta vs Educação a Distância

O termo "educação aberta" popularizou-se quando, em 1960 a University of Air se passou a designar por Open University. Tanto Moore como Rumble (1982) argumentam que as universidades abertas deveriam ser chamadas de universidades de ensino a distância, mas, o prestígio da Open University foi mais forte e condicionou outras instituições a adoptarem a mesma designação. Mckenzie define "open learning" como um conceito ambíguo, que poderá gerar interpretações diversas. Esta associação de palavras tem um carácter emocional muito forte. De facto, os educadores sempre desejaram considerar-se "abertos", pois o processo de ensino-aprendizagem deverá ser centrado no aluno, e não no professor. O "open learning" pode ser aplicado num contexto de ensino face-to-face, ou em contexto a distância. Efectivamente, existem muitas universidades a distância que possuem estruturas muito rígidas, inflexíveis e revelam-se demasiado lentas quando necessitam de responder a determinadas necessidades educativas. Produzem materiais que não deixam espaço ao desenvolvimento do sentido crítico e autónomo do aluno. É, por tal, importante compreender que "open learning" e "distance education" não são conceitos sinónimos.
O ensino deverá ser flexível, a ponto do aprendente adquirir os saberes que quer, quando e como deseja . O Flexible learning é, segundo Van den Brande, um conceito menos ambíguo, mais esclarecedor, indo melhor ao encontro do que realmente é aprender a distância. Deverá ainda perceber-se que, a educação a distância não é, exclusivamente, vocacionada para adultos. Ela é também aplicável a crianças e adolescentes.
Neste contexto de educação a distância, torna-se também importante perceber até que ponto ela se coaduna com a tecnologia educacional. De facto, na educação a distância, a tecnologia é uma substituta do professor. Só através de dispositivos informáticos poderemos validar o processo de ensino - aprendizagem; já a tecnologia educacional é apenas um suplemento para o professor. Aqui continua-se a recorrer à comunicação face-to-face, pois ela assume a interacção como base da interpretação da tecnologia.

Em suma, muito se tem dito sobre o que é realmente ensinar e aprender a distância e muitas são as ambíguidades que derivam desta forma de ensino-aprendizagem. No entanto, é fundamental perceber que, ensinar e aprender são processos que têm que estar vocacionados para os interesses e motivações do sujeito aprendente, dando-lhe a autonomia e sentido crítico suficientes para que este aprenda à medida dos seus interesses e das suas necessidades.

Bibliografia:
  • KEEGAN, Desmond, Foundations of Distance Education, third edition, 1996

Patrícia

Monday, January 29, 2007

O que será o meu blog...


Olá!

Nem eu mesma sei o que será o meu blog. Navego num completo, e desconhecido, "oceano", que espero que me conduza a portos inesquecíveis! Aqui, neste blog, depositarei saberes, experiências, desabafos... De tudo um pouco.
Com ele espero traçar um percurso interessante, que me permita crescer, visualisar novos horizontes, por ora perdidos lá longe! Hoje desamarro o meu pequeno barco, esperando que se transforme num grande navio, sempre em busca de mares nunca dantes navegados...


Patrícia