Olá a todos.
A partida foi dada, e começou a minha viagem por mares nunca dantes navegados.
Comecei por entrar num vasto oceano que diz respeito aos Fundamentos do Ensino a Distância. Assim, após a análise da obra de Desmond Keegan (Foundations of Distance Education), mais concretamente do segundo capítulo , novos horizontes foram desvendados. De facto, para se compreender o que é o ensino a distância é importante distinguir vários conceitos: educação aberta, não tradicional e a distância. Durante muito tempo houve uma certa confusão aquando da tentativa de definição de Ensino a Distância. Era comum surgirem termos como "estudo por correspondência", "estudo em casa", "estudos externos", "estudo independente".... entre muitos outros. O ensino a distância não surgiu recentemente. Segundo nos diz Michael Moore, há vários anos que muitas escolas não recorriam ao ensino face-to-face, um ensino presencial, onde o professor e o aluno tinham presença real e obrigatória. Segundo Moore, "teaching consists of two families of activity with many characteristics in common, , but different in one aspect so important that a theory explaining one cannot satisfactorily explain the other" (Keegan, Foundations of Distance Education, pp24). Estas duas famílias são:
A partida foi dada, e começou a minha viagem por mares nunca dantes navegados.
Comecei por entrar num vasto oceano que diz respeito aos Fundamentos do Ensino a Distância. Assim, após a análise da obra de Desmond Keegan (Foundations of Distance Education), mais concretamente do segundo capítulo , novos horizontes foram desvendados. De facto, para se compreender o que é o ensino a distância é importante distinguir vários conceitos: educação aberta, não tradicional e a distância. Durante muito tempo houve uma certa confusão aquando da tentativa de definição de Ensino a Distância. Era comum surgirem termos como "estudo por correspondência", "estudo em casa", "estudos externos", "estudo independente".... entre muitos outros. O ensino a distância não surgiu recentemente. Segundo nos diz Michael Moore, há vários anos que muitas escolas não recorriam ao ensino face-to-face, um ensino presencial, onde o professor e o aluno tinham presença real e obrigatória. Segundo Moore, "teaching consists of two families of activity with many characteristics in common, , but different in one aspect so important that a theory explaining one cannot satisfactorily explain the other" (Keegan, Foundations of Distance Education, pp24). Estas duas famílias são:
- a 1ª, a melhor compreendida (mais velha e mais estudade), é a que inclui o docente, presente fisicamente, em todas as actividades educativas, recorrendo aos meios primários de comunicação (voz). O ensino era consumido ao mesmo tempo que era produzido. Este tipo de ensino (convencional) localiza-se num campus, onde os estudantes e professores coabitam fisicamente, em contexto sala de aula.
- a 2ª inclui situações educacionais distinguidas pela separação do professor e alunos, tendo a comunicação que ser facilitada por um meio electrónico ou mecânico. O ensino era "consumido" num tempo e espaço distintos. O aprendiz, para poder aceder ao ensino, a informação tinha que ser construida, transportada, armazenada e, posteriormente, entregue. Também há aqui interacção entre professor e aprendiz, contudo, ela será afectada pelo atraso resultante da necessidade de comunicar através da distância ou tempo. A isto chamamos Ensino a Distância (Moore).
Para muitos autores (Perry), o ensino a distância era encarado como a segunda melhor alternativa à educação convencional. De facto, ainda hoje se continmua a encontrar uma grande resistência aquando da aceitação deste tipo de ensino. Continua a acreditar-se que só se formarão profissionais eficazes e eficientes se o ensino for feito em contexto face-to-face.
Educação Aberta vs Educação a Distância
O termo "educação aberta" popularizou-se quando, em 1960 a University of Air se passou a designar por Open University. Tanto Moore como Rumble (1982) argumentam que as universidades abertas deveriam ser chamadas de universidades de ensino a distância, mas, o prestígio da Open University foi mais forte e condicionou outras instituições a adoptarem a mesma designação. Mckenzie define "open learning" como um conceito ambíguo, que poderá gerar interpretações diversas. Esta associação de palavras tem um carácter emocional muito forte. De facto, os educadores sempre desejaram considerar-se "abertos", pois o processo de ensino-aprendizagem deverá ser centrado no aluno, e não no professor. O "open learning" pode ser aplicado num contexto de ensino face-to-face, ou em contexto a distância. Efectivamente, existem muitas universidades a distância que possuem estruturas muito rígidas, inflexíveis e revelam-se demasiado lentas quando necessitam de responder a determinadas necessidades educativas. Produzem materiais que não deixam espaço ao desenvolvimento do sentido crítico e autónomo do aluno. É, por tal, importante compreender que "open learning" e "distance education" não são conceitos sinónimos.
O ensino deverá ser flexível, a ponto do aprendente adquirir os saberes que quer, quando e como deseja . O Flexible learning é, segundo Van den Brande, um conceito menos ambíguo, mais esclarecedor, indo melhor ao encontro do que realmente é aprender a distância. Deverá ainda perceber-se que, a educação a distância não é, exclusivamente, vocacionada para adultos. Ela é também aplicável a crianças e adolescentes.
Neste contexto de educação a distância, torna-se também importante perceber até que ponto ela se coaduna com a tecnologia educacional. De facto, na educação a distância, a tecnologia é uma substituta do professor. Só através de dispositivos informáticos poderemos validar o processo de ensino - aprendizagem; já a tecnologia educacional é apenas um suplemento para o professor. Aqui continua-se a recorrer à comunicação face-to-face, pois ela assume a interacção como base da interpretação da tecnologia.
Em suma, muito se tem dito sobre o que é realmente ensinar e aprender a distância e muitas são as ambíguidades que derivam desta forma de ensino-aprendizagem. No entanto, é fundamental perceber que, ensinar e aprender são processos que têm que estar vocacionados para os interesses e motivações do sujeito aprendente, dando-lhe a autonomia e sentido crítico suficientes para que este aprenda à medida dos seus interesses e das suas necessidades.
O termo "educação aberta" popularizou-se quando, em 1960 a University of Air se passou a designar por Open University. Tanto Moore como Rumble (1982) argumentam que as universidades abertas deveriam ser chamadas de universidades de ensino a distância, mas, o prestígio da Open University foi mais forte e condicionou outras instituições a adoptarem a mesma designação. Mckenzie define "open learning" como um conceito ambíguo, que poderá gerar interpretações diversas. Esta associação de palavras tem um carácter emocional muito forte. De facto, os educadores sempre desejaram considerar-se "abertos", pois o processo de ensino-aprendizagem deverá ser centrado no aluno, e não no professor. O "open learning" pode ser aplicado num contexto de ensino face-to-face, ou em contexto a distância. Efectivamente, existem muitas universidades a distância que possuem estruturas muito rígidas, inflexíveis e revelam-se demasiado lentas quando necessitam de responder a determinadas necessidades educativas. Produzem materiais que não deixam espaço ao desenvolvimento do sentido crítico e autónomo do aluno. É, por tal, importante compreender que "open learning" e "distance education" não são conceitos sinónimos.
O ensino deverá ser flexível, a ponto do aprendente adquirir os saberes que quer, quando e como deseja . O Flexible learning é, segundo Van den Brande, um conceito menos ambíguo, mais esclarecedor, indo melhor ao encontro do que realmente é aprender a distância. Deverá ainda perceber-se que, a educação a distância não é, exclusivamente, vocacionada para adultos. Ela é também aplicável a crianças e adolescentes.
Neste contexto de educação a distância, torna-se também importante perceber até que ponto ela se coaduna com a tecnologia educacional. De facto, na educação a distância, a tecnologia é uma substituta do professor. Só através de dispositivos informáticos poderemos validar o processo de ensino - aprendizagem; já a tecnologia educacional é apenas um suplemento para o professor. Aqui continua-se a recorrer à comunicação face-to-face, pois ela assume a interacção como base da interpretação da tecnologia.
Em suma, muito se tem dito sobre o que é realmente ensinar e aprender a distância e muitas são as ambíguidades que derivam desta forma de ensino-aprendizagem. No entanto, é fundamental perceber que, ensinar e aprender são processos que têm que estar vocacionados para os interesses e motivações do sujeito aprendente, dando-lhe a autonomia e sentido crítico suficientes para que este aprenda à medida dos seus interesses e das suas necessidades.
Bibliografia:
- KEEGAN, Desmond, Foundations of Distance Education, third edition, 1996
Patrícia

4 comments:
Olá Patrícia
Gostaria de comentar um aspecto que foca na sua síntese e que talvez tenha sido mal interpretada. Trata-se daquilo a que chama educação tecnológica. Na verdade, o termo correcto é tecnologia educacional, o que é diferente. Trata-se de uma especialidade que analisa o uso da tecnologia da educação,e que históricamente, se poderá dizer que trabalha com a tecnologia scripto, video, audio, mesmo antes de existirem os computadores, tendo naturalmente introduzido o computador.
O autor tenta traçar as diferenças entre EaD e tecnologia educacional. O papel da tecnologia educacional centra-se no uso da tecnologia em contecxto educacional. Enquanto o ensino a distância tem sempre o suporte de uma infraestrutura tecnológica para haver ensino e aprendizagem.
Um abraço
Lina Morgado
Realmente creio que aqui o meu erro passou pela má tradução da expressão. Aquando da leitura que fiz da obra, subentendi que a tecnologia educacional é todo um conjunto de suportes (como a professora refere, o script, o video, audio...) que servia de suporte ao contexto educativo. Já o ensino a distância recorre, obrigatoriamente àos dispositivos informáticos para que o processo educativo se desenrole. Julgo que me expressei mal, pelo que trato já de corrigir o meu texto! Obrigado pela correcção!
Patrícia, achei interessante vc tocar na diferenciação entre educação aberta e educação a distância. Estou pesquisando este tema e gostaria de saber se vc tem alguma indicação bibliográfica que o trate em profundidade.
Abs
Olá Sylvia,
Sim, disponho de alguma bibliografia, uma vez que este é um tema do meu interesse. Para onde poderei enviar-lhe as referências bibliográficas?
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